A Região Alentejo
O Instituto Politécnico de Beja situa-se no coração de uma das mais belas e bem conservadas regiões de Portugal – o Alentejo – a imensa planície ondulante que se estende desde as margens do rio Tejo para sul, até ao Algarve, a província mais meridional de Portugal.
A presença humana nestas paragens está documentada desde o Período Paleolítico. A sua melhor expressão é a Gruta do Escoural, cuja visita deve, obrigatoriamente ser precedida de marcação no Centro de Interpretação localizado na vila de Escoural. A época do apogeu da cultura megalítica situa-se entre os IV e III milénios a.C., estando inventariadas várias centenas de monumentos em toda a Região. Partir para o campo à descoberta de antas, cromeleques e menires é uma das experiências mais gratificantes que pode viver-se no Alentejo.
O período romano no Alentejo iniciou-se no séc. II a.C. e prolongou-se até à queda do Império, no séc. V. Desses tempos e da sua influência em épocas posteriores, ficaram-nos múltiplas memórias: da exploração mineira do ouro, da prata e das pirites; da agricultura intensiva feita em grandes propriedades coroadas por casas luxuosas e ricamente decoradas (as villae); das indústrias de cerâmica, de extracção de sal, de salga de peixe e de construção naval; das fortalezas, templos, pontes, calçadas, santuários, teatros, barragens, aquedutos; dos municípios como estrutura base da administração local. E ficou-nos, obviamente, o latim como língua-mãe do português.
O período da ocupação árabe, iniciado no séc. VIII, teve, no sul do país, uma duração de quase 500 anos. Desta longa vivência partilhada, herdámos plantas e técnicas agrícolas, sistemas de captação e reserva de água, hábitos alimentares, várias centenas de palavras, técnicas construtivas, gostos decorativos, estilos artísticos, ambientes urbanos. São muçulmanos os arquétipos de muitos dos nossos castelos da Reconquista e várias igrejas cristãs foram reedificadas sobre primitivas mesquitas. Mértola, a vila mais árabe de Portugal, é o sítio certo para se compreender esta herança.
Castelos, fortes, atalaias e vilas fortificadas pontuam toda a paisagem do Alentejo atestando que, consolidada a Reconquista com a ocupação definitiva do Sul, foi necessário continuar a defender as fronteiras do território: a leste, respondendo a guerras com Espanha; a oeste, prevenindo ataques vindos do mar; em todo o interior, para travar avanços não contidos na linha da raia.
Desde os primórdios da Nacionalidade ao séc. XIX, primeiro pelo apoio militar, depois pela nem sempre pacífica missão de civilizar, evangelizar, educar e, nos tempos negros da Inquisição, de defender a ortodoxia católica, o Clero, regular e secular, desempenhou um papel relevante em Portugal.
Entre os séculos XV e XVIII, Portugal viveu tempos de grande prosperidade. Por maiores que tenham sido os custos humanos da epopeia dos Descobrimentos, é um facto que ela se traduziu numa riqueza sem precedentes, fruto do activo comércio de especiarias, ouro e pedras preciosas, que teve a sua principal fonte na Índia e no Brasil. O Alentejo que, nesta época, foi várias vezes morada de reis, participou e beneficiou deste movimento. Ergueram-se casas nobres, palácios, igrejas e conventos, construíram-se obras de monta como os aquedutos da Água da Prata, em Évora, e da Amoreira, em Elvas, fizeram-se lindíssimas fontes e pelourinhos, recriou-se e embelezou-se o existente. Chamaram-se artistas nacionais e estrangeiros, trabalhou-se com mestria a pedra e a madeira, desenvolveu-se a pintura, a escultura e as artes decorativas, numa palavra, tudo se fez para que o futuro ficasse marcado por obras grandiosas, erguidas para glória dos homens e de Deus.
Évora é uma referência incontornável para quem vem ao Alentejo motivado pelo tema do Património. Classificada pela UNESCO Património da Humanidade, ocupa um justo lugar de relevo em qualquer itinerário de Turismo Cultural.
Dêmos agora um salto até aos nossos dias, deixando pelo caminho os revivalismos do séc. XIX, a arquitectura do ferro que acompanhou a chegada do comboio ao interior, os modernismos do princípio do séc. XX e a pesada arquitectura que caracterizou o período do chamado Estado Novo dos tempos da ditadura de Salazar.
(Fonte: http://www.visitalentejo.pt/pt/)
A cidade de Beja
Beja é a capital do Baixo Alentejo, e é aqui que se situa o Instituto Politécnico de Beja. Trata-se de uma cidade pequena, com cerca de 25.000 habitantes, e a sua longa história, tal como a de toda e região envolvente, remonta ao tempo dos Romanos, quando a cidade se tornou a capital regional, sob a administração de Júlio César. A Pax Julia de César conserva ainda uma atmosfera de tranquilidade e de calma, já difícil de encontrar.
É verdade que andar pelas ruas desta cidade, no seu centro histórico, é como fazer uma viajem através do tempo, encontrando uma calma que julgávamos perdida. Aqui podemos reencontrar-nos, parando numa esquina mais fresca, de onde, olhando para cima, podemos avistar uma estatueta de porcelana a embelezar a extremidade de uma balaustrada. Entretanto já os nossos olhos tinham reparado nos azulejos Art Nouveau da fachada, e nos delicados pormenores que circundam as portas e as janelas. Continuando o passeio através destas ruas, não podemos deixar de admirar as belas varandas em ferro forjado, que acrescentam uma certa imponência às fachadas. E se andarmos um pouco mais, veremos que as velhas muralhas guardam alguns tesouros arquitectónicos e artísticos valiosos. Mas, como referiu José Saramago (o nosso Prémio Nobel da Literatura), «… É preciso procurar, ir ao Castelo, a Santa Maria, à Misericórdia, ao Museu. Por eles se saberá que Pax Julia (Baju para os Mouros, que não sabiam latim, e depois Baja e enfim Beja) tem de História que baste e sobeje».
Chegados ao Castelo, para onde todas as ruas e caminhos parecem convergir, teremos de subir ao cimo da sua enorme torre, que, desde o seu passado romano, depois muçulmano e, finalmente, cristão, se apresenta como a guardiã da planície, apontando para os quatro cantos e olhando altaneira para a imensa planície que se estende muito para além da linha do horizonte, que ainda hoje é a região agrícola mais importante de Portugal. Uma vista sublime.
Mas da torre podemos também ver a cidade por dentro – os campanários do Convento da Conceição, um do primeiros exemplos do estilo Manuelino em Portugal, (local onde Soror Mariana Alcoforado terá escrito as famosas «Cartas Portuguesa», as apaixonadas cartas de amor da freira portuguesa para o seu amante francês); as torres cilíndricas da alvíssima Igreja de Santa Maria, outrora uma mesquita; e ainda o Hospital Velho, contemporâneo de D. Manuel, o Venturoso, o rei das Descobertas. Não longe dali a Praça da República, finamente emoldurada pela loggia renascentista da Misericórdia, e por uma elegante friso de edifícios de estilo Manuelino, com o pelourinho no seu centro.
Um mundo no tempo: os trabalhos em mármore e granito da cidade romana, as pedras decoradas com os símbolos cristãos dos Visigodos, na Igreja de Santo Amaro, que parece perdida no tempo, os velhos bairros, com as suas casas térreas, com um toque muçulmano; as ruas da judiaria, já cristianizadas; as mansões senhoriais dos últimos conquistadores, um mundo exterior que guarda as mais belas talhas e os mais belos azulejos alguma vez produzidos na Península Ibérica. Um tesouro escondido, pronto a ser descoberto.
Muito ficou por dizer sobre o passado de Beja. Mas Beja também é modernidade. A cidade está bem equipada com todos os requisitos de uma cidade moderna - novas zonas verdes e vários parques onde a população pode desfrutar o seu tempo livre, bons equipamentos desportivos e culturais, bem como novas áreas comerciais, vários restaurantes e esplanadas, para além de uma animada vida nocturna, oferecendo assim aos residentes e aos visitantes todos os confortos das sociedades contemporâneas.