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Reportagem fotográfica 

 1ª Edição - 04 de Setembro de 2009, pelas 18h00m

 

  • Título: "Encantos do Cante Alentejano"

  

Contribuir para a dignificação do Cante Alentejano é o objectivo principal desta primeira edição do projecto ”em.cantos”.

Nas palavras do Padre António Alfaiate Marvão, estudioso de referência nesta matéria, o Cante Alentejano constitui uma representação de “toda a vida do alentejano”, marcada por uma certa nostalgia revelada nas letras em que prevalecem os sentimentos ligados ao amor e à saudade, e acompanhada por uma música lenta e compassada.

Apesar de existirem várias teses que pretendem explicar a origem desta manifestação artística peculiar, de entre as quais se salientam a que defende a sua origem no canto gregoriano e a que considera que o mesmo foi proveniente do canto árabe – não existe ainda uma explicação definitiva, pois a informação histórica e documental disponível não é considerada suficiente. Certo é, todavia, que esta forma de expressão vocal está claramente relacionada com os trabalhos do campo e com os encontros de fim de tarde nas tabernas, espaços de excelência para a criação das modas do Alentejo.

Contudo, o mundo rural vive hoje um novo paradigma, tendo sido alvo de diversas transformações, onde a mecanização agrícola se impôs e o espaço para o convívio, nos moldes anteriores, é cada vez mais escasso. Assim e apesar de continuar a surgir muitos grupos corais, o Cante Alentejano depara-se actualmente e segundo vários autores, com um conjunto de problemas - sejam de organização interna e funcionamento de (alguns) grupos, sejam outros que têm a ver com preconceitos que determinam, por exemplo, o elevado nível etário que prevalece nos grupos -  que podem pôr em causa a sua genuinidade.  Há, pois, que procurar dignificar a moda assim como os seus intérpretes e oferecer-lhe um novo estatuto. Para tal, importa discutir e sensibilizar todos os intervenientes neste processo por forma a se encontrar as soluções adequadas para os problemas já identificados.



  • Local: "Igreja do Carmo"

     















     

    Em meados do século XVII é fundada na povoação um recolhimento de religiosas da Terceira Ordem de Penitência do Carmo por iniciativa de um casal, Pedro Fialho e Maria Lopes, pessoas de posses e sem descendentes, devotos de Nossa Senhora do Carmo. Após a competente autorização da hierarquia eclesiástica para a construção da igreja, foi lançada a primeira pedra, num ritual de pompa e circunstância como mandava o preceito, no dia 8 de Setembro de 1652.

    A comunidade religiosa inicial era constituída por seis carmelitas calçadas que vieram de Lisboa. Obedeciam a votos de pobreza, caridade, contemplação e clausura, mas nunca obtiveram a devida confirmação claustral da Ordem, pelo que ficaram sujeitas à autoridade do ordinário exercido pelo arcebispado de Évora. As religiosas recusaram-se arreigadamente a prestar tal obediência, criando-se um conflito que se arrastou alguns anos, com arrebatadas cenas, a que não faltou o arremesso de um tinteiro por parte da madre do cenóbio ao rosto de um ilustre visitador. Por volta de 1739, serenaram os ânimos com a inevitável submissão das carmelitas.

    Esta instituição foi acarinhada por muitos, recebendo importantes doações que permitiram a conclusão da igreja e a construção das dependências monásticas, num recinto cada vez mais ampliado. Destaca-se a avultada contribuição de Martinho Janeiro de Baraona, morgado da Esperança, que tomou posse do padroado do convento em 1747 e o beneficiou amplamente. Mas não foi benfeitor discreto e do feito quis deixar memória para a posteridade: mandou colocar na esquina do edifício o seu brasão pétreo com uma inscrição alusiva, datada de 1755. Com a Implantação da República e a extinção das ordens religiosas, o edifício passou a ser utilizado como hospital. Recentemente, acolhe um lar de idosos sob a administração da Casa da Misericórdia.

    A igreja do Recolhimento do Carmo manteve-se menos sujeita à mudança dos tempos. Exceptuando as aberturas adulteradas do primeiro piso da sua fachada virada ao espaçoso e convidativo adro, o interior mostra-se um espaço acolhedor de igreja salão, adequado a uma congregação que chegou a possuir 34 membros em 1758. Os seus altares de talha barroca conservam uma colecção de imaginária setecentista de grande interesse, da qual se destaca, pela excelência, a escultura de Santa Rita de Cássia, já sem mãos, porque, segundo consta, os devotos ao pedirem uma graça levavam-lhe uma mão como garantia e só lha devolviam depois de obtida. Merecem menção pela qualidade algumas imagens, maioritariamente de crianças: Santa Ana a ensinar Nossa Senhora a ler, S. João Baptista Menino, carinhosamente apelidado de Baptistinha, ou o Bom Pastor, guardado no tesouro da matriz.

    A capela-mor, profunda, está coberta por pinturas a fresco em perspectiva ilusionista, mas é o retábulo fingido da nave, de anacrónico esquema maneirista e carácter ingénuo, que prende a atenção. O pintor conseguiu captar o instante e o movimento nele contido: um robusto e enorme S. Cristovão de capa esvoaçante, apoiando-se no bordão de peregrino, olha lateralmente; às suas costas, o Menino, uma figura roliça e pequenina, acompanha o olhar na mesma direcção e abençoa.

    Tanta igreja e capela (algumas já desapareceram), tanta imagem sacra, haveria de concluir-se que o povo de Cuba era especialmente devoto e cumpridor das suas obrigações cristãs. Mas não. A prática religiosa aqui, como em todo o Alentejo, era relegada para segundo plano; primeiro estava a lavoura e o sustento da família. Os domingos e dias santos eram muitos e o trabalho do campo era de sol a sol; o limiar da pobreza em que viviam muitos dos seus habitantes não permitia paragens que os patrões não remuneravam. Por outro lado, a fraca catequização das populações, a que se juntava um clero, frequentemente, pouco instruído, favorecia este cenário. Na última década do século XVIII, o prior da Igreja de S. Vicente de Cuba lamentava que os homens se confessassem apenas anualmente e que durante a confissão reagissem mal às suas perguntas, não admitindo qualquer interferência na esfera da vida íntima. Fr. Manuel do cenáculo, primeiro bispo de Beja (de 1770 a 1802), promoveu um esforço relevante na evangelização da população, através de missões, e viria a conseguir alguns resultados mas que se revelariam efémeros, atingindo, por certo, mais o povo da vila que do termo. De qualquer modo, em consequência dessa a acção, no ano de 1781, durante a Quaresma, o povo realizou uma manifestação de contrição colectiva: “Apareceo em publico o povo todo, umilhado e, penitente, arrependido diante do Senhor (…) os Grandes e os pequenos, os homens e os meninos, cubertas as cabeças de cinza, vestidos de cilicio e de saco. O silencio era profundo (…)” (Carta de Fr. José do Coração de Jesus a Fr. Manuel do Cenáculo, citada por Emília Salvado Borges, Homens Fazenda e Poder no Alentejo de Setecentos, 2000, p. 174. 

  • Intervenientes Convidados:

        »
    Paulo Lima
    Paulo Lima (1966), antropólogo, funcionário da Câmara Municipal de Portel ... saber mais 
     
           »
    Padre António Cartageno
    Natural de S. Mamede de Ribatua (Alijó), é presbítero da Diocese de Beja. Entre Outubro de 1987 e Junho de 1994 estudou no Pontifício Instituto de Música Sacra de Roma, onde fez os mestrados em Canto Gregoriano e em Composição Sacra ... saber mais 

       
      » Francisco Manso
    Francisco Manuel Manso Gonçalves de Faria é natural de Lisboa e nasceu  a 28 de Novembro de 1949. É Produtor/Realizador tendo como Habilitações Profissionais o Curso de Cinema e Audiovisuais do AR.CO (1976) e o Curso de Audio e de Assistente de Realização da R.T.P. (1979/80) 
    ... saber mais   

            
         »
    Janita Salomé
    Janita Salomé é um artista multifacetado e versátil. Envolvido numa mística de imagem que, em simultâneo, toca as elites, cedo criou uma identidade própria, que o distingue no contexto musical... saber mais 


  • Participantes convidados:

    . José Francisco Colaço Guerreiro (Jurista, dirigente da Cortiçol-Cooperativa de Informação e Cultura, CRL e responsável pelo Observatório Regional do Cante)

    . Pedro Mestre (Animador de música tradicional alentejana, construtor de instrumentos tradicionais de corda e ensaiador de grupos corais. Lecciona o projecto piloto do "Cante Alentejano nas Escolas")

    . Joaquim Soares (Presidente da Direcção da MODA - Associação do Cante Alentejano)

    . António Duro (Dedica-se à pintura e à cerâmica artística. É autor de diversas peças em barro, através das quais oferece a sua visão do Cante Alentejano e da forma de cantar e que integram a exposição designada "O Cante e o Alentejo". É também responsável pelo Atelier Gráfico "António Duro Designers")



Apoios Locais:

 


Actividades complementares:

  • 04/09/09 - Mostra de trajes típicos/tradicionais, Restaurante "Adega da Lua", a partir das 20h30m.
  • 04/09/09 - Poesia Popular (Sr. Gavião), Restaurante "Adega da Lua", a partir das 20h30m.
  • Exposição de Fotografia "O Campo e o Canto" da autoria de António Cunha.
        Local:
    Galeria da Biblioteca Municipal de Cuba
    Duração: 04/09/2009 - 02/10/2009
      Horário: 10h00m - 20h00m
  • Exposição de escultura/cerâmica "O Cante e o Alentejo" da autoria de António Duro.
          Local: Restaurante "Adega da Lua"
    Duração: 04/09/2009 - 26/09/2009
      Horário: 10h00m - 23h00m
       


  Outras informações:

 
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